Categoria: Gestão Hospitalar

  • 5 sinais de que seu hospital precisa melhorar a comunicação médica

    5 sinais de que seu hospital precisa melhorar a comunicação médica

    Às vezes, os problemas de comunicação em um hospital não aparecem como eventos adversos graves — eles se escondem em sintomas do dia a dia que parecem “normais”. Aprenda a identificar os sinais de alerta antes que se tornem crises.

    Quando pensamos em falhas de comunicação hospitalar, geralmente imaginamos cenários dramáticos: um medicamento errado administrado, uma cirurgia no lado errado, um diagnóstico que não chegou a tempo.

    Porém, a realidade é bem mais sutil, porque na prática, na maioria das instituições, os problemas de comunicação se manifestam em pequenas ineficiências que, com o tempo, geram impactos relevantes.

    Diante disso, vale a reflexão: será que sua instituição convive com esses sintomas sem perceber? A seguir, apresentamos os principais sinais de alerta.

    Sinal #1: Exames duplicados viram rotina

    Quando o médico do plantão noturno solicita uma bateria de exames e, no dia seguinte, o plantonista da manhã repete os mesmos pedidos porque não encontra os resultados — ou sequer sabe que alguém já os solicitou —, a instituição enfrenta uma falha de comunicação.

    Se isso acontece na sua instituição, é importante deixar claro: o problema não está no “médico descuidado”, mas no sistema.

    De acordo com dados do Hospital Estadual de Urgências de Goiás (HUGOL), 15% de todos os exames realizados eram duplicados, gerando custos desnecessários e, após a implementação de controles de comunicação, esse número foi reduzido em 42%.

    Sinal #2: Passagens de plantão demoradas e confusas

    Se a passagem de plantão na sua instituição leva mais de uma hora, ou se os médicos que assumem ainda precisam “correr atrás” de informações depois, algo está errado.

    Passagens de plantão eficientes, por outro lado, seguem protocolos estruturados, como o SBAR (Situação, Background, Avaliação e Recomendação). Dessa forma, elas não dependem da memória ou da boa vontade de quem está encerrando o turno.

    Quando a passagem de plantão é caótica, a equipe perde informações críticas e, como consequência, os profissionais tomam decisões clínicas com dados incompletos — o que impacta diretamente os pacientes.

    “Muitos problemas de comunicação entre os profissionais de saúde ocorrem durante a transição do cuidado. Entretanto, quando há padronização das informações, resultados positivos são evidenciados.”

    Revista de Enfermagem da UFSM

    Sinal #3: Equipe prefere WhatsApp pessoal ao sistema oficial

    Quando os profissionais preferem trocar informações clínicas pelo WhatsApp pessoal em vez de usar os canais oficiais da instituição, isso revela que os sistemas formais não estão funcionando.

    E o problema não é o WhatsApp em si, na verdade, é o que ele revela, como por exemplo: que os canais oficiais podem ser lentos demais, burocráticos demais ou simplesmente não resolvem os problemas no dia a dia.

    Além dos riscos de segurança de dados (LGPD) e da falta de rastreabilidade, o uso de mensageiros pessoais fragmenta a informação, e como resultado, os profissionais não registram os acordos feitos em grupos informais no prontuário

    Sinal #4: Profissionais têm medo de reportar problemas

    Em uma cultura de comunicação saudável, qualquer membro da equipe, desde o técnico de enfermagem até médico sênior, deve se sentir à vontade e seguro para levantar preocupações sobre o cuidado ao paciente.

    Entretanto, estudos mostram que existe uma tendência significativa ao silêncio no ambiente hospitalar. Muitos profissionais, embora percebam erros ou riscos, preferem não se manifestar por medo de punições ou exposição.

    Quando a hierarquia impede a comunicação aberta, a equipe deixa de corrigir erros a tempo, e esses erros se transformam em eventos adversos.

    ⚠️ Sinais de cultura de silêncio

    • Reuniões unidirecionais: Só os gestores falam, a equipe assistencial apenas escuta
    • Notificações punitivas: quem reporta um problema é visto como “causador” do problema
    • Canais inexistentes: quando não há forma segura e anônima de reportar preocupações
    • “Sempre foi assim”: problemas conhecidos são normalizados em vez de resolvidos

    Sinal #5: Informações críticas “se perdem” entre setores

    O paciente chega da emergência para a enfermaria, mas as informações sobre alergias não vieram junto. Porque o resultado do exame ficou no sistema do laboratório e ninguém avisou o médico. A interconsulta foi solicitada, mas o especialista só soube três dias depois.

    Quando informações críticas se perdem na transição entre setores, fica claro que o problema não é dos profissionais individuais, mas sim do sistema de comunicação da instituição.

    A comunicação efetiva não pode depender de “lembrar de avisar”; a instituição precisa estruturá-la, torná-la rastreável e garantir que ninguém a ignore.

    Como reverter esses sinais

    • Implemente protocolos SBAR: padronize a comunicação em passagens de plantão e interconsultas
    • Centralize informações: use uma plataforma única onde toda a equipe acesse o mesmo dado do paciente
    • Crie cultura de segurança psicológica: encoraje reportes sem punição, valorize quem levanta problemas
    • Invista em tecnologia adequada: ferramentas que facilitem, não compliquem, o fluxo de informação

    Por que agir agora?

    Os sinais que descrevemos não são apenas inconveniências operacionais. Eles são sintomas de um sistema de comunicação que está colocando pacientes em risco e drenando recursos da sua instituição.

    A boa notícia é que esses problemas têm solução. Hospitais que investem em comunicação estruturada reduzem eventos adversos, diminuem custos com retrabalho e melhoram a satisfação tanto de pacientes quanto de profissionais.

    A pergunta é: quantos desses sinais você reconhece na sua instituição? E o que você vai fazer a respeito?

    Equipe Strivium

    A Strivium desenvolve soluções tecnológicas para melhorar a comunicação e a gestão de equipes na área da saúde. O Strivium Link é nossa plataforma para coordenação de cuidado hospitalar.

  • Por que falhas de comunicação clínica ainda acontecem em 2025?

    Por que falhas de comunicação clínica ainda acontecem em 2025?

    Em plena era da transformação digital na saúde, hospitais ainda perdem pacientes por causa de informações que não chegaram a tempo. Entenda por que esse problema persiste e o que sua instituição pode fazer para mudar esse cenário.

    Você já parou para pensar quantas decisões clínicas são tomadas por dia em um hospital? Centenas. Talvez milhares. Cada uma delas depende de uma cadeia de informações que precisa fluir entre médicos, enfermeiros, técnicos e outros profissionais.

    Quando essa cadeia falha, as consequências vão desde exames duplicados até eventos adversos graves. E o mais preocupante: mesmo com toda a tecnologia disponível em 2025, essas falhas continuam acontecendo com frequência alarmante.

    71% dos eventos adversos em hospitais brasileiros têm falhas de comunicação como fator contribuinte Fonte: Estudo Ibero-Americano de Eventos Adversos (IBEAS)

    O que dizem os dados sobre comunicação hospitalar

    Os números não mentem. Segundo a Joint Commission International, referência mundial em acreditação hospitalar, a comunicação está entre as três principais causas de eventos sentinela — aqueles incidentes graves que resultam em morte ou dano permanente ao paciente.

    No Brasil, um estudo publicado nos Cadernos de Saúde Pública revelou que 53% dos incidentes em unidades de saúde têm falhas de comunicação como fator contribuinte. Desses, quase metade está relacionada à comunicação entre profissionais da própria equipe.

    “A comunicação é essencial nas relações humanas que envolvem os pacientes, seus familiares e os profissionais, contribuindo para a transformação do cenário nas instituições de saúde.” — Revista de Enfermagem da UFSM, 2023

    Por que as falhas continuam acontecendo?

    Se o problema é tão conhecido, por que não foi resolvido? A resposta está em uma combinação de fatores estruturais, culturais e tecnológicos que persistem na maioria das instituições de saúde.

    ⚠️ Os 5 principais gargalos da comunicação clínica

    • Fragmentação de sistemas: Informações espalhadas entre prontuários em papel, WhatsApp pessoal, sistemas legados e planilhas.
    • Sobrecarga cognitiva: Médicos e enfermeiros gerenciam dezenas de pacientes simultaneamente.
    • Falta de padronização: Cada plantão comunica de um jeito diferente.
    • Hierarquia rígida: Profissionais juniores hesitam em questionar inconsistências.
    • Cultura de “apagar incêndios”: Foco em resolver o urgente, não em prevenir.

    O custo real da má comunicação

    Além do impacto na segurança do paciente, as falhas de comunicação geram custos financeiros significativos para as instituições. Exames duplicados, tempo de internação prolongado, retrabalho assistencial e processos judiciais são apenas a ponta do iceberg.

    Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) demonstrou que a comunicação deficiente está diretamente associada a maior tempo de internação hospitalar, retardos em tratamentos, readmissões evitáveis e aumento de custos operacionais.

    O que funciona: soluções baseadas em evidências

    A boa notícia é que existem estratégias comprovadas para melhorar a comunicação clínica. Hospitais que implementaram essas práticas reduziram significativamente seus índices de eventos adversos.

    ✓ Estratégias que fazem diferença

    • Protocolo SBAR: Metodologia estruturada para padronizar a comunicação entre profissionais.
    • Huddles diários: Reuniões rápidas de 5-10 minutos no início de cada turno.
    • Centralização digital: Plataformas que unificam informações do paciente em um único lugar.
    • Checklists de transição: Ferramentas para garantir que nenhuma informação se perca.
    • Cultura de segurança: Ambiente onde qualquer profissional pode levantar preocupações.

    Como a tecnologia pode ajudar

    Protocolos e treinamentos são fundamentais, mas a tecnologia é o que permite escalar essas boas práticas. Ferramentas de gestão de equipes médicas eliminam a fragmentação de informações e criam um registro único e acessível do cuidado.

    Uma plataforma bem desenhada permite que o médico que assume o plantão veja imediatamente o histórico de evoluções, pendências e alertas de cada paciente. Não depende de memória, não depende de WhatsApp, não depende de “perguntar para o colega”.

    O resultado é uma equipe mais alinhada, menos retrabalho, menos erros e — o mais importante — pacientes mais seguros.

    Conclusão: a comunicação como pilar da qualidade assistencial

    As falhas de comunicação clínica não são inevitáveis. Elas são o resultado de processos mal desenhados, ferramentas inadequadas e uma cultura que ainda não priorizou a coordenação do cuidado.

    Em 2025, não faz mais sentido aceitar que informações críticas se percam entre plantões ou que médicos precisem “caçar” dados em múltiplos sistemas. As soluções existem, são acessíveis e têm impacto comprovado.

    A pergunta não é mais “se” sua instituição deve investir em comunicação clínica, mas “quando”. E a resposta, considerando o que está em jogo, deveria ser: agora.

    Quer melhorar a comunicação da sua equipe médica?

    O Strivium Link foi desenvolvido para centralizar informações clínicas e facilitar a coordenação entre profissionais de saúde.

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    Equipe Strivium

    A Strivium desenvolve soluções tecnológicas para melhorar a comunicação e a gestão de equipes na área da saúde.