Por que falhas de comunicação clínica ainda acontecem em 2025?

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médico em um ambiente hospitalar mexendo no celular ou fazendo anotações a mão

Em plena era da transformação digital na saúde, hospitais ainda perdem pacientes por causa de informações que não chegaram a tempo. Entenda por que esse problema persiste e o que sua instituição pode fazer para mudar esse cenário.

Você já parou para pensar quantas decisões clínicas são tomadas por dia em um hospital? Centenas. Talvez milhares. Cada uma delas depende de uma cadeia de informações que precisa fluir entre médicos, enfermeiros, técnicos e outros profissionais.

Quando essa cadeia falha, as consequências vão desde exames duplicados até eventos adversos graves. E o mais preocupante: mesmo com toda a tecnologia disponível em 2025, essas falhas continuam acontecendo com frequência alarmante.

71% dos eventos adversos em hospitais brasileiros têm falhas de comunicação como fator contribuinte Fonte: Estudo Ibero-Americano de Eventos Adversos (IBEAS)

O que dizem os dados sobre comunicação hospitalar

Os números não mentem. Segundo a Joint Commission International, referência mundial em acreditação hospitalar, a comunicação está entre as três principais causas de eventos sentinela — aqueles incidentes graves que resultam em morte ou dano permanente ao paciente.

No Brasil, um estudo publicado nos Cadernos de Saúde Pública revelou que 53% dos incidentes em unidades de saúde têm falhas de comunicação como fator contribuinte. Desses, quase metade está relacionada à comunicação entre profissionais da própria equipe.

“A comunicação é essencial nas relações humanas que envolvem os pacientes, seus familiares e os profissionais, contribuindo para a transformação do cenário nas instituições de saúde.” — Revista de Enfermagem da UFSM, 2023

Por que as falhas continuam acontecendo?

Se o problema é tão conhecido, por que não foi resolvido? A resposta está em uma combinação de fatores estruturais, culturais e tecnológicos que persistem na maioria das instituições de saúde.

⚠️ Os 5 principais gargalos da comunicação clínica

  • Fragmentação de sistemas: Informações espalhadas entre prontuários em papel, WhatsApp pessoal, sistemas legados e planilhas.
  • Sobrecarga cognitiva: Médicos e enfermeiros gerenciam dezenas de pacientes simultaneamente.
  • Falta de padronização: Cada plantão comunica de um jeito diferente.
  • Hierarquia rígida: Profissionais juniores hesitam em questionar inconsistências.
  • Cultura de “apagar incêndios”: Foco em resolver o urgente, não em prevenir.

O custo real da má comunicação

Além do impacto na segurança do paciente, as falhas de comunicação geram custos financeiros significativos para as instituições. Exames duplicados, tempo de internação prolongado, retrabalho assistencial e processos judiciais são apenas a ponta do iceberg.

Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) demonstrou que a comunicação deficiente está diretamente associada a maior tempo de internação hospitalar, retardos em tratamentos, readmissões evitáveis e aumento de custos operacionais.

O que funciona: soluções baseadas em evidências

A boa notícia é que existem estratégias comprovadas para melhorar a comunicação clínica. Hospitais que implementaram essas práticas reduziram significativamente seus índices de eventos adversos.

✓ Estratégias que fazem diferença

  • Protocolo SBAR: Metodologia estruturada para padronizar a comunicação entre profissionais.
  • Huddles diários: Reuniões rápidas de 5-10 minutos no início de cada turno.
  • Centralização digital: Plataformas que unificam informações do paciente em um único lugar.
  • Checklists de transição: Ferramentas para garantir que nenhuma informação se perca.
  • Cultura de segurança: Ambiente onde qualquer profissional pode levantar preocupações.

Como a tecnologia pode ajudar

Protocolos e treinamentos são fundamentais, mas a tecnologia é o que permite escalar essas boas práticas. Ferramentas de gestão de equipes médicas eliminam a fragmentação de informações e criam um registro único e acessível do cuidado.

Uma plataforma bem desenhada permite que o médico que assume o plantão veja imediatamente o histórico de evoluções, pendências e alertas de cada paciente. Não depende de memória, não depende de WhatsApp, não depende de “perguntar para o colega”.

O resultado é uma equipe mais alinhada, menos retrabalho, menos erros e — o mais importante — pacientes mais seguros.

Conclusão: a comunicação como pilar da qualidade assistencial

As falhas de comunicação clínica não são inevitáveis. Elas são o resultado de processos mal desenhados, ferramentas inadequadas e uma cultura que ainda não priorizou a coordenação do cuidado.

Em 2025, não faz mais sentido aceitar que informações críticas se percam entre plantões ou que médicos precisem “caçar” dados em múltiplos sistemas. As soluções existem, são acessíveis e têm impacto comprovado.

A pergunta não é mais “se” sua instituição deve investir em comunicação clínica, mas “quando”. E a resposta, considerando o que está em jogo, deveria ser: agora.

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